A ascensão da extrema direita globalmente tem sido acompanhada por um notável apoio ao Estado de Israel, um fenômeno visível em eleições de países como Brasil, Paraguai e Argentina. Mas quais são as raízes dessa aliança, e como ela se entrelaça com as crenças de milhões de evangélicos, especialmente no Brasil?
As Razões da Proximidade: Geopolítica e Religião
A ligação entre a extrema direita e Israel é multifacetada, com duas grandes razões se destacando: geopolíticas e religiosas.
1. Visão Geopolítica: O Choque de Civilizações:
○ A extrema direita adota a teoria do "choque de civilizações", popularizada por Samuel Huntington (foto), que postula um confronto entre a civilização ocidental e o islamismo, estendendo-o para um embate mais amplo entre o Ocidente e o "Oriente".
○ Para a extrema direita, o "Oriente" engloba Islamismo, comunismo, socialismo e tudo que confronta os "valores ocidentais".
○ Nessa lógica, Israel, situado entre Ocidente e Oriente, é visto como um elemento essencial de representação da civilização ocidental e da linha de frente no combate ao Oriente, especialmente devido ao seu conflito com os palestinos. O regime sionista é percebido como um grande emblema desse confronto.
2. A Aliança Religiosa: Sionismo, Protestantismo e Neopentecostalismo:
○ Embora o sionismo tenha nascido como um movimento laico, seus líderes logo buscaram o apoio das massas judaicas, abraçando os setores religiosos do judaísmo.
○ Historicamente, os textos sagrados judaicos afirmavam que o retorno do povo judeu à "Terra Prometida" (Canaã/Palestina) e a reconstrução do reino de Israel só ocorreriam após a chegada do Messias. No entanto, o sionismo religioso inverteu essa interpretação, defendendo que o Messias só chegará se a Terra Prometida for reocupada pelo povo eleito e purificada dos "ímpios" ou "impuros".
○ A partir dos anos 1940-1950, essa mudança de interpretação no sionismo religioso encontrou eco no fundamentalismo neopentecostal. Para muitos neopentecostais, a leitura do Antigo Testamento sugere que o Messias (Jesus Cristo, em sua segunda vinda) só retornaria se a Terra Prometida estivesse reocupada pelo povo eleito e "purificada".
○ Essa convergência de ideias estabeleceu uma forte identidade entre o sionismo religioso e o fundamentalismo neopentecostal, aproximando um dos principais vetores da extrema direita contemporânea: o fundamentalismo neopentecostal do sionismo religioso.
O Apoio Evangélico no Brasil
No Brasil, a presença de bandeiras de Israel e símbolos como a Estrela de Davi é comum em eventos evangélicos, com líderes como o Pastor André Valadão e o Bispo Samuel Ferreira demonstrando apoio público a Israel.
As origens dessa defesa por parte dos evangélicos brasileiros são profundas e teológicas:
● Raízes Judaicas do Cristianismo: Muitos evangélicos acreditam que as origens judaicas do cristianismo conferem ao povo judaico um lugar especial nos planos divinos. A existência de Israel é vista como crucial para o cristianismo.
● Importância do Antigo Testamento: Correntes evangélicas, especialmente as neopentecostais, dão grande importância aos valores e símbolos do Antigo Testamento, vendo Israel como a terra prometida e o povo judeu como o escolhido de Deus.
● Dispensacionalismo: Uma corrente teológica surgida nos EUA no século XIX, o dispensacionalismo, enxerga Israel como um "relógio do fim do mundo". A criação de Israel em 1948 foi interpretada como o cumprimento de uma profecia de que Deus faria seu povo retornar à terra prometida antes do fim do mundo. Assim, apoiar o Estado de Israel é visto como um sinal de fidelidade ao povo de Deus e ao cumprimento das profecias bíblicas.
● Teologia do Domínio: Essa teologia, surgida nos anos 1970 nos EUA, busca submeter todas as esferas da vida pública, incluindo o Estado, ao domínio religioso dos cristãos, inspirada pelas leis divinas do Antigo Testamento. Figuras como o Rei Davi tornam-se símbolos poderosos, por vezes até mais proeminentes que Cristo, para muitos grupos neopentecostais que aderem a essa teologia.
O Papel do Lobby Sionista na Sedução do Evangelismo
O lobby sionista desempenhou um papel significativo na aproximação com os evangélicos, especialmente nos Estados Unidos:
● Financiamento de Universidades: Aportou recursos para bolsas, centros de pesquisa e programas de intercâmbio em universidades cristãs de ponta, influenciando a elite política e intelectual, incluindo a direita cristã.
● Comunicação de Massas: A partir dos anos 1950, estações de rádio e televisão sob influência do lobby sionista disponibilizaram microfones e câmeras a grupos evangélicos, impulsionando a era dos "televangelistas" e permitindo que alcançassem multidões. Jerry Falwell, um proeminente televangelista, foi o primeiro não-judeu a receber a medalha Jabotinsky do primeiro-ministro israelense Menachem Begin em 1980, simbolizando essa forte amizade.
● Peregrinação aos Lugares Sagrados: Facilitou a peregrinação de evangélicos aos lugares sagrados do Antigo Testamento em Israel, estimulando a intersecção entre o fundamentalismo cristão e o sionismo religioso.
Nuances e Contradições Históricas
É importante notar que a história do sionismo nem sempre se alinha com a narrativa idealizada:
● Acordo Haavara (1933-1938): Houve um acordo entre a Federação Sionista da Alemanha e o governo nazista que permitiu a transferência de ativos financeiros judaicos para a Palestina, desde que pagassem 25% de impostos. Esse acordo facilitou a imigração de aproximadamente 60.000 judeus austríacos e alemães e contribuiu para a infraestrutura do futuro Estado de Israel. O sionismo na Alemanha priorizou acordos para fortalecer a imigração e salvar ativos, em vez de se juntar à resistência antinazista.
● Grupo Lehi/Stern (1941): Mesmo em 1941, quando a "Solução Final" já estava em andamento, o grupo sionista de extrema direita Lehi (também conhecido como Gang Stern), liderado por Abraham Stern, propôs um pacto com a Alemanha Nazista para lutar ao lado dela em troca do apoio alemão à criação de um estado judaico na Palestina. Itzhak Shamir, que viria a ser primeiro-ministro de Israel, fazia parte desse grupo.
Vozes Dissonantes: Críticas e Complexidades
Apesar do amplo apoio, existem visões mais matizadas dentro das comunidades evangélica e judaica:
● Críticas Evangélicas: Muitos pastores evangélicos criticam a confusão entre o "Povo de Deus" do Antigo Testamento e o Estado moderno de Israel, ressaltando que são entidades distintas. Achar que são uma coisa só é "uma das grandes confusões da Igreja Evangélica hoje".
● Visões Judaicas: A comunidade judaica geralmente acolhe o apoio a Israel, especialmente em momentos de crise e diante do crescimento do antissemitismo. No entanto, alguns pesquisadores e membros da comunidade se incomodam com a visão "mítica" de Israel e de um "judeu imaginário" por parte de alguns evangélicos, que desconsidera a heterogeneidade da comunidade judaica (composta por judeus religiosos, ateus, de esquerda, de direita).
A Perspectiva de Jesus em Contraste
As fontes também oferecem uma perspectiva sobre Jesus que contrasta com algumas das interpretações mais rígidas do Antigo Testamento que fundamentam o apoio de setores da extrema direita e evangélicos a Israel:
● Crítica de Jesus a Israel: Os Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João mostram Jesus com uma fala crítica sobre Israel, especialmente sobre aqueles que matam os profetas e rejeitam os enviados de Deus. Ele criticava a idolatria do templo, da Torá, do sacerdotalismo e dos ritos, que ele via como piores que os pagãos.
● Condenação de Jesus: Jesus foi julgado e condenado à morte pelas autoridades religiosas de Israel, apesar da relutância do governador romano Pôncio Pilatos.
● Mensagem de Inclusão e Compaixão: Jesus, muitas vezes autodenominado "Filho do Homem", evitava a autopromoção e focava em curar e acolher. Ele era chamado por seus inimigos religiosos de "amigo de pecadores, meretrizes e publicanos", e afirmava que essas pessoas "precedem no reino dos céus" os religiosos legalistas e moralistas.
● Rejeição da Dureza da Lei: A mensagem de Jesus é descrita como oposta à "dureza, lei, obrigação, pânico e pavor" do Velho Testamento que alguns defendem. Ele propunha uma nova humanidade, onde não há divisões por etnia (nem judeu nem grego), status social (nem escravo nem liberto), ou gênero (nem homem nem mulher), desafiando qualquer forma de supremacismo ou patriarcalismo.
Em suma, a forte defesa de Israel pela extrema direita e por muitos evangélicos é o resultado de uma complexa interação entre fatores geopolíticos, interpretações religiosas específicas e um histórico de interações entre lobbies e comunidades de fé. No entanto, é um fenômeno que também gera debates e críticas dentro dessas mesmas comunidades, e que pode ser contrastado com as próprias raízes e ensinamentos do cristianismo.
A interpretação religiosa do Velho Testamento alinha o sionismo e o neopentecostalismo através de uma convergência de visões sobre o retorno do Messias e a importância da "Terra Prometida".
Aqui está como essa aliança se forma, com base nas fontes:
● A Inversão no Sionismo Religioso:
○ Tradicionalmente, os textos sagrados judaicos afirmavam que o povo judeu só poderia retornar à "Terra Prometida" (Canaã/Palestina) e reconstruir o reino de Israel após a chegada do Messias. Qualquer tentativa de retorno antes disso era vista como um pecado mortal.
○ No entanto, o sionismo, que nasceu como um movimento laico, buscou o apoio das massas judaicas e, para isso, abraçou setores religiosos, modificando fundamentalmente essa interpretação. O sionismo religioso passou a defender que o Messias só chegará se a Terra Prometida estiver reocupada pelo povo eleito e "purificada dos ímpios ou impuros".
● A Leitura Neopentecostal do Velho Testamento:
○ A partir dos anos 1940-1950, e aceleradamente nos anos 1960-1970, essa nova interpretação sionista encontrou um eco significativo no fundamentalismo neopentecostal.
○ Para muitos neopentecostais, a leitura do Velho Testamento leva à crença de que o Messias (Jesus Cristo, em sua segunda vinda) só retornaria se a Terra Prometida estivesse novamente ocupada pelo povo eleito e "purificada".
○ Essa perspectiva é reforçada por correntes teológicas como o dispensacionalismo, que surgiu nos Estados Unidos no século XIX. O dispensacionalismo enxerga Israel como um "relógio do fim do mundo", e a criação do Estado de Israel em 1948 foi interpretada como o cumprimento de uma profecia de que Deus faria seu povo retornar à terra prometida antes do Apocalipse. Assim, apoiar o Estado de Israel é visto como um sinal de fidelidade ao povo de Deus e ao cumprimento das profecias bíblicas.
○ A Teologia do Domínio, surgida nos anos 1970 nos EUA e com forte repercussão entre grupos neopentecostais, também contribui para essa conexão. Ela busca submeter todas as esferas da vida pública ao domínio religioso dos cristãos, inspirada pelas leis divinas do Antigo Testamento. Personagens como o Rei Davi, que impõe a vontade divina através de um reino, tornam-se símbolos poderosos, por vezes até mais proeminentes que Cristo, para muitos desses grupos que aderem a essa teologia.
Essa confluência religiosa e a identidade estabelecida entre o sionismo religioso e o fundamentalismo neopentecostal aproximaram esses dois movimentos, tornando o fundamentalismo neopentecostal um dos principais vetores da extrema direita contemporânea. É por isso que a defesa de Israel e de seus símbolos (antigos ou modernos, religiosos e políticos) se tornou central na narrativa apresentada pela direita cristã.
A visão geopolítica da extrema-direita é fortemente moldada pela teoria do "choque de civilizações" de Samuel Huntington.
De acordo com as fontes, essa moldagem ocorre da seguinte forma:
● A "grande chave teórica" da extrema-direita global é que o mundo está vivenciando um confronto ou choque de civilizações.
● Essa ideia se baseia diretamente em um ensaio de Samuel Huntington de 1993, intitulado "Choque de Civilizações". Huntington postulou que, após o fim da Guerra Fria e o desaparecimento da União Soviética em 1991, a principal contradição da humanidade se desenvolveria entre a civilização ocidental e o Islamismo.
● A extrema-direita adota essa premissa, mas expande a ideia de confronto para ser entre a civilização ocidental e o "Oriente".
● Para a extrema-direita, o "Oriente é algo mais amplo que o Islamismo", englobando de forma "caótica e confusa" o islamismo, o comunismo, o socialismo e tudo que confronte a civilização ocidental.
● A civilização ocidental, nessa perspectiva, é vista pela extrema-direita como a "civilização judaico-cristã", uma aliança entre o cristianismo e o judaísmo. Inclui também setores que, mesmo não estando geograficamente no ocidente, abraçam seus valores, como a economia de mercado e o ultraliberalismo.
● Nessa lógica, o Estado de Israel e o regime sionista são considerados um "elemento essencial de representação da civilização ocidental".
● Israel é percebido como parte do "sistema imperialista" e na "linha de frente de combate ao Oriente" devido ao seu confronto com os palestinos.
● É também visto como o "maior dos emblemas do confronto entre o ocidente e o Oriente", justamente por se situar no meio do caminho entre eles.
Essa interpretação do "choque de civilizações" é uma das duas grandes razões que associam a extrema-direita ao sionismo e ao Estado de Israel, sendo a outra de ordem religiosa, que se combina com a geopolítica.
Evangélicos apoiam Israel por uma complexa combinação de razões religiosas e geopolíticas, que frequentemente se interligam.
1. Razões Religiosas: O Cumprimento de Profecias e o Retorno do Messias
● Leitura do Velho Testamento e a "Terra Prometida": Uma das principais razões reside na leitura do Velho Testamento, que muitos evangélicos, especialmente neopentecostais, interpretam como contendo as promessas de Deus para o povo judeu e a "terra prometida" (Canaã/Palestina). Para eles, o povo judeu é o "escolhido de Deus".
● Inversão Sionist-Religiosa: Tradicionalmente, os textos sagrados judaicos afirmavam que o povo judeu só poderia retornar à "Terra Prometida" e reconstruir o reino de Israel após a chegada do Messias, sendo qualquer tentativa anterior um pecado mortal. Contudo, o sionismo, que nasceu como um movimento laico, buscou apoio religioso e induziu uma inversão dessa interpretação, defendendo que o Messias só chegará se a Terra Prometida estiver reocupada pelo povo eleito e "purificada dos ímpios ou impuros".
● Alinhamento Neopentecostal: A partir dos anos 1940-1950, e aceleradamente nos anos 1960-1970, essa nova interpretação sionista encontrou um eco significativo no fundamentalismo neopentecostal. Para muitos neopentecostais, a leitura do Velho Testamento leva à crença de que o Messias (Jesus Cristo, em sua segunda vinda) só retornaria se a Terra Prometida estivesse novamente ocupada pelo povo eleito e "purificada". Isso estabeleceu uma "identidade" entre o sionismo religioso e o fundamentalismo neopentecostal.
● Dispensacionalismo: Esta é uma corrente teológica que surgiu nos Estados Unidos no século XIX e é bastante popular entre os evangélicos no Brasil. O dispensacionalismo enxerga Israel como uma espécie de "relógio do fim do mundo". Segundo essa corrente, uma das profecias dizia que, antes do fim do mundo, Deus faria com que seu povo retornasse à terra prometida. Assim, a criação do Estado de Israel em 1948 foi lida como o cumprimento dessa profecia, como se o "relógio do Apocalipse tivesse sido disparado". Para os adeptos, apoiar o Estado de Israel é uma demonstração de fidelidade ao povo de Deus e ao cumprimento das profecias bíblicas, o que frequentemente resulta em uma "leitura sempre muito acrítica" de Israel.
● Teologia do Domínio: Propagada a partir dos anos 1970 nos EUA e com forte repercussão entre grupos neopentecostais, esta teologia busca submeter todas as esferas da vida pública (incluindo o Estado) ao domínio religioso dos cristãos, inspirada pelas leis divinas do Antigo Testamento. Personagens como o Rei Davi, que impõe a vontade divina através de um reino, tornam-se símbolos poderosos, por vezes até mais proeminentes que Cristo, para muitos desses grupos que aderem a essa teologia.
2. Razões Geopolíticas: O "Choque de Civilizações"
● A "grande chave teórica" da extrema-direita global, que inclui o fundamentalismo neopentecostal como um de seus vetores, é a ideia de que o mundo está vivenciando um confronto ou choque de civilizações. Essa ideia se baseia diretamente no ensaio "Choque de Civilizações" de Samuel Huntington.
● A extrema-direita adota essa premissa, mas expande a ideia de confronto para ser entre a "civilização ocidental" e o "Oriente". Para a extrema-direita, o "Oriente" é algo mais amplo que o Islamismo, englobando de forma "caótica e confusa" o Islamismo, o comunismo, o socialismo e tudo que confronte a civilização ocidental.
● Nessa perspectiva, a "civilização ocidental" é vista pela extrema-direita como a "civilização judaico-cristã", uma aliança entre o cristianismo e o judaísmo.
● Consequentemente, o Estado de Israel e o regime sionista são considerados um "elemento essencial de representação da civilização ocidental", parte do "sistema imperialista" e na "linha de frente de combate ao Oriente". Israel é percebido como o "maior dos emblemas do confronto entre o ocidente e o Oriente", justamente por se situar no meio do caminho entre eles.
3. Fatores Históricos e de Sedução
● Impacto do Holocausto: Embora judeus, árabes e palestinos tenham vivido de forma relativamente pacífica na região de 70 d.C. até 1947, o Holocausto e o genocídio promovido por Hitler foram cruciais para fortalecer o movimento sionista e o desejo de "volta a Sião" (retorno à Terra de Israel).
● Estratégias do Lobby Sionista: O lobby sionista exerceu uma "sedução" sobre o evangelismo através de três principais formas:
○ Financiamento de Universidades: Aportou recursos para bolsas de estudo, centros de pesquisa e programas de intercâmbio em universidades (muitas delas criadas por grupos cristãos) nos EUA, trazendo o sionismo para dentro das instituições que formam a elite política e intelectual, incluindo a direita cristã.
○ Comunicação de Massas: A partir dos anos 1950, estações de rádio e televisão sob influência do lobby sionista colocaram microfones e câmeras à disposição de grupos evangélicos, dando-lhes maior alcance e impulsionando a era dos tele-evangelistas, como Jerry Falwell, que era amigo do Estado de Israel.
○ Peregrinação aos Lugares Sagrados: Facilitou a peregrinação de evangélicos aos lugares sagrados do Velho Testamento em Israel, estimulando a intersecção entre o fundamentalismo cristão e o sionismo religioso.
Nuances e Críticas Internas:
● É importante notar que essa visão não é unânime entre os evangélicos. Muitos pastores e teólogos criticam o apoio incondicional às políticas do Estado de Israel, apontando uma confusão entre a "ideia do Povo de Deus do Velho Testamento" (os descendentes de Abraão) e o "atual e moderno Estado de Israel", que são consideradas "coisas distintas".
● Além disso, alguns observam que a ênfase no Velho Testamento por esses grupos contrasta com os ensinamentos de Jesus no Novo Testamento, que focam na generosidade, misericórdia, compaixão e inclusão, em vez de dureza e lei.
● Na comunidade judaica, embora o apoio evangélico seja geralmente bem-vindo, especialmente em tempos de conflito e aumento do antissemitismo, alguns pesquisadores se incomodam com o que consideram uma "visão mística" de um "judeu imaginário" e de uma "Israel mítica" que está longe da realidade, por vezes parecendo excluir judeus que não se alinham a essa imagem ou visão política.
Em resumo, o apoio dos evangélicos a Israel é um fenômeno multifacetado, enraizado em interpretações religiosas que veem o moderno Estado de Israel como um cumprimento profético para o retorno de Jesus, reforçado por uma visão geopolítica de choque de civilizações onde Israel é um bastião ocidental, e impulsionado por esforços históricos de cooperação e lobby.
Segue um cronograma detalhado dos eventos e uma lista de personagens principais com breves biografias, com base nas informações fornecidas nos textos.
Linha do Tempo Detalhada
ᒄ Pré-Exílio no Egito (Antigo Testamento): Israel é um povo idólatra, cultuando ídolos de pau, pedra e ouro. Profetas denunciam essa idolatria e a rejeição de Deus por Israel.
ᒄ 1800-1700 A.C. (aproximadamente): Nascimento de Ismael, filho de Abraão e Agar (serva egípcia de Sara). Ismael é considerado o pai de todo o semitismo árabe e palestino.
ᒄ 1700-1600 A.C. (aproximadamente): Nascimento de Isaque, filho de Abraão e Sara. Isaque é considerado o pai dos israelitas, judeus e hebreus. Ambos os grupos (árabes/palestinos e judeus/israelitas) são semitas e descendentes de Abraão.
ᒄ Século XVI A.C. - Século XIII A.C. (aproximadamente): Período de 430 anos de exílio do povo de Israel no Egito.
ᒄ Século XIII A.C. (aproximadamente): Entrada do povo de Israel na Terra Prometida através de Josué, após 40 anos de peregrinação no deserto.
ᒄ Reinos de Saul, Davi e Salomão (Antigo Testamento): Período em que as sociedades deveriam ser governadas pela "lei divina", conforme a teologia do domínio. Davi, em particular, torna-se um símbolo de liderança e imposição da vontade divina.
ᒄ Pós-Cativeiro na Babilônia (Antigo Testamento): O povo de Israel para de cultuar ídolos de pau e pedra, mas passa a cultuar o templo, a Torá (o livro), o sacerdócio, os ritos e os sacrifícios, sendo considerados ainda piores que os pagãos por alguns profetas.
ᒄ Quarto Século D.C.: Surgimento da Igreja Católica como fenômeno do cristianismo, relacionado a Constantino, mas distinto do evangelho original de Jesus.
ᒄ Século VII D.C. em diante: Dominação islâmica sobre a região da Palestina, seguida pela dominação turco-otomana. Período descrito como de convivência pacífica entre judeus, árabes e palestinos.
ᒄ Ano 70 D.C.: Judeus tentam uma insurreição contra os romanos, são subjugados pelos generais Tito e Vespasiano e dispersos por vontade própria.
ᒄ Ano 70 D.C. a 1947: Uma população de judeus, árabes e palestinos sempre coexistiu na região, vivendo pacificamente sob diferentes dominações (romana, bizantina, islâmica, turco-otomana).
ᒄ Século XIX: Início de uma forte identificação protestante com o Antigo Testamento, vendo Israel como a terra prometida e o povo judeu como o escolhido de Deus. Surgimento do dispensacionalismo nos EUA, que interpreta a volta do povo de Deus à Terra Prometida como precondição para o fim do mundo.
ᒄ Anos 1920-1930: Início da era dos "televangelistas" nos Estados Unidos, com maior alcance da mensagem evangélica através de rádio e TV.
ᒄ 1933: Adolf Hitler assume o governo alemão e impõe sua ditadura.
ᒄ 25 de agosto de 1933: Assinatura do Acordo Haavara ("Acordo de Transferência") entre a Federação Sionista da Alemanha, o Banco Anglo-Palestino (dirigido pela Agência Judaica) e o governo alemão. Este acordo permitia a transferência de ativos financeiros judaicos para a Palestina, com 25% de imposto, e autorizava a saída de judeus alemães para a Palestina.
ᒄ 1933-1938: Funcionamento do Acordo Haavara e do esquema com a empresa sionista Roteia, que captava investimentos de judeus que desejavam imigrar para a Palestina, com o compromisso de importar produtos alemães. Estimativa de que 60.000 judeus austríacos e alemães se beneficiaram dessa cooperação, e cerca de 2 bilhões de dólares (valor atualizado) foram transferidos para a infraestrutura do futuro Estado de Israel. O comando sionista na Alemanha optou por acordos que fortalecessem a imigração judaica para a Palestina em vez de resistência ao nazismo.
ᒄ A partir de 1935: Outras empresas com perfil semelhante (como Haavara e Pautre) se somam ao esquema.
ᒄ 1938: Nazistas mudam sua política em relação aos judeus, de expulsão para aprisionamento, escravização e expropriação. O Acordo Haavara é encerrado. A política nazista se transforma em extermínio (Solução Final) a partir de 1941.
ᒄ 1938 em diante: O movimento sionista alemão (e o que restava dele) assume uma posição mais combativa contra o nazismo.
ᒄ 1941: O grupo sionista de extrema direita Stern (também conhecido como Lehi), liderado por Abraham Stern, tenta um novo pacto com o governo nazista, propondo lutar ao lado da Alemanha em troca da retomada da imigração judaica para a Palestina e apoio alemão à criação de um estado judeu. A oferta não foi respondida.
ᒄ A partir dos anos 1940: O sionismo religioso e o fundamentalismo neopentecostal começam a convergir em interpretações do Antigo Testamento, especialmente sobre o retorno do Messias após a reocupação da Terra Prometida pelo povo eleito e sua "purificação". Essa convergência se intensifica nos anos 1950, 60 e 70.
ᒄ 1947: O Holocausto, promovido por Hitler, fortalece o movimento sionista de "volta a Sião", pois os judeus dispersos não encontraram acolhimento em outros países.
ᒄ 1948: Criação do Estado de Israel. Este evento é interpretado pelo dispensacionalismo como o cumprimento da profecia bíblica e o "disparo do relógio do Apocalipse".
ᒄ Anos 1950-1960: Estações de rádio e televisão, sob influência do lobby sionista, dão espaço a grupos evangélicos, ampliando seu alcance e iniciando a era dos "televangelistas" em um patamar mais elevado.
ᒄ Anos 1970: Propagação da Teologia do Domínio, especialmente entre grupos neopentecostais nos EUA, como instrumento de combate ao socialismo e à Teologia da Libertação. Baseada no Reconstrucionismo Cristão, defende que a sociedade deve ser governada pela lei divina do Antigo Testamento.
ᒄ 1973: Fusão de grupos sionistas como Irgun e Lehi (Stern Gang) para formar o partido Likud.
ᒄ 1980: Jerry Falwell, proeminente televangelista não-judeu, recebe a medalha Jabotinsky do primeiro-ministro israelense Menachem Begin, demonstrando a forte amizade entre o sionismo e a direita cristã.
ᒄ Anos 1980-1990: Yitzhak Shamir, ex-membro do grupo Stern (Lehi), atua como Primeiro-Ministro de Israel.
ᒄ Início dos anos 1990: Samuel Huntington publica o artigo "Choque de Civilizações", que serve de base para a visão geopolítica da extrema direita de um confronto entre a civilização ocidental (judaico-cristã) e o Islamismo/Oriente.
ᒄ Século XXI: Continua o apoio de líderes evangélicos brasileiros a Israel, com manifestações públicas em redes sociais e eventos religiosos, reforçando a identificação com a "terra prometida" e o "povo escolhido de Deus".
Elenco de Personagens
s Abraão: Patriarca bíblico, considerado o pai dos judeus (através de Isaque) e dos árabes/palestinos (através de Ismael). Ambas as linhagens são semitas.
s Agar: Serva egípcia de Sara, esposa de Abraão. Mãe de Ismael, o pai dos semitas árabes e palestinos.
s Alexandre, o Grande: Conquistador grego que, como dominador, instituiu a helenização, promovendo a cultura grega e casamentos interétnicos para aculturação sem supremacismo genético.
s André Valadão: Pastor brasileiro da Igreja Batista da Lagoinha. Demonstrou apoio a Israel no conflito com o Hamas, pedindo para Deus "esmagar o inimigo".
s Baren (ou Barrabás): Líder de uma insurreição contra Roma. Foi escolhido pela multidão para ser libertado em vez de Jesus, durante o julgamento perante Pilatos.
s Benjamin Netanyahu: Atual Primeiro-Ministro de Israel, filiado ao partido Likud.
s Constantino: Imperador romano que se associa ao surgimento da Igreja Católica como fenômeno do cristianismo.
s Davi: Rei bíblico de Israel. Sua figura, como "Davi guerreiro" que impõe a vontade divina através de seu reino, tornou-se um símbolo importante para muitos grupos neopentecostais que aderem à Teologia do Domínio.
s Domiciano: Um dos imperadores romanos descritos como "surtados" e "muito perversos" em termos de violência e brutalidade.
s Edwin Black: Escritor judeu e sionista norte-americano. Autor do livro "Haavara: O Acordo de Transferência", que detalha a cooperação entre sionistas alemães e nazistas.
s Família Bolsonaro: Mencionada como exemplo de políticos com fortes ligações com correntes evangélicas que apoiam Israel.
s Gary North: Economista ultraliberal, anticomunista fanático, e genro de Rousas Rushdoony. Associou suas ideias ultraliberais à existência de um governo teocrático que representasse o domínio das ideias cristãs ultraconservadoras. Um dos inspiradores do Reconstrucionismo Cristão e da Teologia do Domínio.
Greg Bahnsen: Teólogo calvinista, seguidor das teses de João Calvino. Um dos inspiradores do Reconstrucionismo Cristão e da Teologia do Domínio.
Guilherme de Carvalho: Pastor e teólogo. Explica que, para evangélicos, as origens judaicas do cristianismo dão um lugar especial ao povo judaico nos planos divinos.
Herodes: Governante perverso, cuja esposa (cujo irmão era casado com ela) seguia Jesus.
Hitler (Adolf Hitler): Ditador alemão, líder do regime nazista. Sua política de perseguição e extermínio de judeus (Holocausto) fortaleceu o movimento sionista.
Isaque: Filho de Abraão e Sara. Considerado o pai dos israelitas, judeus e hebreus.
Isaías: Profeta bíblico, citado em relação às características de Jesus, que não buscava a publicidade e não esmagava "a cana quebrada" nem apagava "a torcida que fumega".
Ismael: Filho de Abraão e Agar. Considerado o pai de todo o semitismo árabe e palestino.
Itzhak Shamir: Membro do grupo sionista de extrema direita Lehi (Stern Gang). Propôs um pacto com a Alemanha Nazista em 1941. Mais tarde, tornou-se Primeiro-Ministro de Israel (anos 80 e 90) pelo partido Likud.
Jael: Personagem bíblica do Antigo Testamento, cuja leitura é contrastada com a visão crítica de Jesus sobre Israel.
Jean Calvin (João Calvino): Teólogo francês, cujas teses influenciaram teólogos calvinistas como Rousas Rushdoony e Greg Bahnsen.
Jerry Falwell: Um dos maiores "televangelistas" e renomados representantes da direita cristã nos EUA. Foi o primeiro não-judeu a receber a medalha Jabotinsky em 1980 do Primeiro-Ministro Menachem Begin, simbolizando a amizade com Israel.
Jesus Cristo: Figura central do cristianismo. Sua fala sobre Israel no Novo Testamento é descrita como crítica aos que matam os profetas e rejeitam os enviados de Deus. Ele não buscava publicidade e era conhecido como "amigo de pecadores, meretrizes e publicanos". Sua mensagem é de uma "nova humanidade" sem divisões étnicas, de gênero ou sociais. Foi condenado à morte pelas autoridades religiosas judaicas, com a relutância de Pilatos.
João (Evangelista): Um dos quatro evangelistas, cujos escritos (juntamente com Mateus, Marcos e Lucas) mostram a fala crítica de Jesus sobre Israel.
João Calvino: Ver Jean Calvin.
Josué: Líder bíblico que conduziu o povo de Israel à Terra Prometida após o exílio no Egito e a peregrinação no deserto.
Kenner Terra: Pastor e teólogo. Explica o conceito de dispensacionalismo e como ele leva a uma visão acrítica de Israel entre muitos evangélicos.
Lázaro: Irmão de Marta e Maria, amigo de Jesus, que foi ressuscitado por ele.
Letícia Mori: Repórter da BBC News Brasil. Apresenta o vídeo sobre o apoio evangélico a Israel.
Lucas (Evangelista): Um dos quatro evangelistas. Reporta a mensagem da mulher de Pilatos a ele sobre Jesus e menciona as mulheres que seguiam Jesus e os apóstolos.
Marcos (Evangelista): Um dos quatro evangelistas, cujos escritos (juntamente com Mateus, Lucas e João) mostram a fala crítica de Jesus sobre Israel.
Maria Madalena: Uma das mulheres que seguiam Jesus, mencionada como parte do grupo de amigos e seguidores.
Marta: Uma das duas irmãs (com Maria) consideradas amigas próximas de Jesus.
Mateus (Evangelista): Um dos quatro evangelistas, cujos escritos (juntamente com Marcos, Lucas e João) mostram a fala crítica de Jesus sobre Israel. Menciona Jesus dizendo para não contarem sobre as curas para cumprir a profecia de Isaías.
i Menachem Begin: Primeiro-Ministro israelense. Entregou a medalha Jabotinsky a Jerry Falwell em 1980. Era membro do Irgun, um grupo que se fundiu com o Lehi (Stern Gang) para formar o Likud.
i Moisés: Patriarca bíblico. A lei de Moisés e as referências ao Antigo Testamento são enfatizadas por líderes religiosos que rejeitam a mensagem de Jesus, preferindo "dureza, lei, obrigação, pânico, pavor".
i Noé: Patriarca bíblico. Semitas são descendentes de Sem, filho de Noé.
i Pilatos (Pôncio Pilatos): Governador romano. Relutou em condenar Jesus, afirmando não ver mal nele, mas cedeu à pressão das autoridades religiosas judaicas e da multidão.
i Rousas Rushdoony: Teólogo calvinista. Um dos inspiradores do Reconstrucionismo Cristão e da Teologia do Domínio.
i Samuel (Profeta): Um dos profetas bíblicos cujas denúncias contra o povo de Israel no Antigo Testamento são mencionadas.
i Samuel Huntington: Cientista político americano. Autor do artigo "Choque de Civilizações" (1993), que teoriza que o principal conflito da humanidade seria entre a civilização ocidental e o Islamismo, servindo de base para a visão geopolítica da extrema direita.
i Samuel Ferreira: Bispo da Assembleia de Deus do Brás (São Paulo). Pediu orações por Israel no conflito com o Hamas e expressou confiança na sobrevivência do país.
i Sara: Esposa de Abraão e mãe de Isaque. Inicialmente estéril, concebeu Isaque aos 90 anos.
i S. Cohen: Judeu sionista polonês. Principal negociador da empresa sionista Roteia junto aos nazistas, operando o esquema de transferência de fundos e produtos alemães.
i Saul: Primeiro rei de Israel. Sua figura é mencionada em relação ao governo pela "lei divina" na Teologia do Domínio.
i Sem: Filho de Noé. Semitas são descendentes de Sem, incluindo judeus e árabes.
i Salomão: Rei de Israel, filho de Davi. Sua figura é mencionada em relação ao governo pela "lei divina" na Teologia do Domínio.
i Tito (General): General romano que, juntamente com Vespasiano, subjugou a insurreição judaica em 70 d.C., resultando na dispersão dos judeus.
i Theodor Herzl: Fundador do sionismo político moderno. Embora ateu, o sionismo que ele fundou posteriormente buscou apoio nos setores religiosos do judaísmo.
i Vespasiano (General): General romano que, juntamente com Tito, subjugou a insurreição judaica em 70 d.C., resultando na dispersão dos judeus.






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